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Estadão: Conheça a história da Santinha, uma jiboia que chegou quase morta e foi tratada por uma ONG

A jiboia (Boa constrictor) apareceu extremamente machucada no Instituto Vida Livre. A mandíbula da Santinha – nome carinhosamente escolhido por Roched Seba, 36, diretor da ONG – estava totalmente quebrada e alguns profissionais pensaram até em eutanásia, técnica para promover uma morte calma e tranquila para o animal.

Thiago Muniz, de 41 anos, foi um dos veterinários que atenderam a Santinha e explica o que, de fato, aconteceu. “A Santinha chegou com um traumatismo muito severo, onde ela teve uma fratura de mandíbula. A fratura envolvia vários ossos mandibulares, que estavam quebrados e completamente desalinhados”, explicou.

“Além da fratura, o animal estava com uma sintomatologia neurológica, ocorrência provavelmente do trauma”, disse Thiago.

Os profissionais suspeitam de que Santinha tenha sofrido algum tipo de agressão, devido ao quadro que ela chegou ao Instituto. “Justamente pelo traumatismo dela se concentrar na região da mandíbula. Muito provavelmente a agressão se deve ao medo que as pessoas têm das serpentes”, enfatizou.

Thiago ainda explica que mesmo a espécie de Santinha sendo uma serpente, ela não promove nenhum risco às pessoas. Não é um animal venenoso, mas sim, um animal de extrema importância para o equilíbrio biológico.

O estado da jiboia era tão grave, que ela nem mesmo conseguia coordenar a cabeça, o pescoço, ela estava incoordenável, segundo Thiago. Os profissionais fizeram um tratamento intensivo no primeiro atendimento para que Santinha tivesse chances de sobreviver.

Os profissionais arquitetaram uma tala na mandíbula do animal, que era de dentro para fora, para que assim, a jiboia não mexesse a cabeça. Eles tomaram todo o cuidado para que não fechasse a entrada de ar dela e também para que pudessem alimentá-la por sonda, já que ela não conseguia fazer isso sozinha.

Segundo Thiago, houve um momento que todos os profissionais que tratariam a Santinha, pensaram seriamente na hipótese de eutanásia, devido ao quadro gravíssimo dela. “Nós decidimos tentar, porque afinal toda vida importa, todo o esforço vale a pena. Se a gente conseguisse recuperar aquele animal, poderíamos dar uma condição de vida boa para ela. Não só manter o animal vivo, mas manter o animal vivo de forma funcional, para que ela pudesse se alimentar sozinha”.

Roched Seba explica que Santinha é uma espécie ameaçada de extinção e, por ser um animal de patrimônio nacional e um bem coletivo, o correto seria que o poder público pagasse pelos gastos que ela tem diariamente. “Ninguém paga por ela. O poder público não paga por ela, as pessoas não pagam por ela. Claro, que as pessoas que doam, sim”, disse.

Durante esses sete meses que o animal está no Instituto inúmeros procedimentos foram realizados, como lazer, ozônio, sonografia, raio x. Além do período em que ela foi imobilizada e só comia por sonda.

Através de parcerias com profissionais da área, que são colaboradores da ONG, é possível baratear todo o tratamento, mas, mesmo assim, manter uma jiboia sob cuidados é bem caro. “Quem pagou por isso fomos nós, com nosso trabalho, com nossos recursos, com nossa rede de apoio com pessoas que vêm e ajudam”, relatou o diretor.

Animais que correm o risco de extinção, como a Santinha, preguiças, onças-pintadas, rinocerontes, são caçados e mortos diariamente e o único responsável por isso, é o homem. “Um animal que acaba é pra sempre. A onça-pintada se for extinta é pra sempre. É muito sério o homem assinar a extinção de tantos animais, é uma questão muito séria”, falou.

A importância que a sociedade dá para animais domésticos como cães e gatos é muito diferente da que dão para animais silvestres. Seba acredita que a importância biológica da Santinha é muito mais relevante do que a de um cachorro. “Claro que com o amor da família, a questão afetiva. Em um olhar neutro do assunto, seria muito mais importante e caro salvar a Santinha, uma preguiça ou outro animal silvestre que corre risco de extinção”.

Veja no site: https://www.estadao.com.br/emais/comportamento/conheca-a-historia-da-santinha-uma-jiboia-que-chegou-quase-morta-e-foi-tratada-por-uma-ong/

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